quarta-feira, 14 de julho de 2021

[Tradução] A história da Viagem de LSD de Michel Foucault

                                                                  A HISTÓRIA DA VIAGEM DE LSD DE FOUCAULT

                                                                                           por Mitchell Dean e Daniel Zamora

                                                                                                     [tradução de Tereza Uirapuru]


Na primavera de 1975, Michel Foucault começava a reivindicar seu posto como grande intelectual francês do século vinte. Ele estava prestes a publicar o primeiro volume do trabalho que agarraria esse rótulo para si, “História da Sexualidade”. De saco cheio da conformista e enrustida cultura francesa da época, ele procuraria novamente refúgio em outros lugares, continuando um padrão de sua vida adulta que o havia levado para a Suécia, Polônia e depois Tunísia, onde viveu maio de 68. Ele ficou tão tomado pela atmosfera libertária de São Francisco que ponderou emigrar e virar californiano.  Parece então que Foucault se apaixonou pela Califórnia. Foi lá que o austero pensador anti-humanista dos anos 60, que havia proclamado a “morte do homem” em aberta hostilidade à filosofia de liberdade de Jean Paul Sartre, experimentaria, durante a década final da sua vida, novas formas de relatar aos outros e se reinventar, nos clubes de São Francisco. 

É dito que foi lá também que ele se tornou o “último homem” a tomar LSD (ácido lisérgico). Foucault descreveu o evento como uma “experiência grandiosa, uma das mais importantes da minha vida.” Ainda que o filósofo francês só muito tarde na vida tenha feito experimentos com alucinógenos, enquanto muitos outros depois “dropariam ácido” (assim eram chamadas as “viagens” pessoais desse tipo), seu apogeu cultural aconteceu no fim dos anos 60, e, nesse sentido, Foucault foi o “último homem” intelectual conhecido da época a tomar LSD na primeira onda coletiva do seu uso como uma substância de expansão da consciência. Ele havia sido precedido por Timothy Leary, Aldous Huxley, Allen Ginsberg e muites outres. Dropar ácido era o que fazia a juventude que experenciava a contracultura no fim dos anos 60 na Califórnia. Entre 1964 e 1966, o escritor Ken Kesey e sua trupe “Merry Pranksters” viajaram pelos Estados Unidos em um ônibus psicodélico, parando regularmente pra organizar festas de LSD. Estes “testes com ácido” seriam o salto para o surgir da geração beat e do movimento hippie nos anos seguintes. Sem dúvida o LSD e outros psicodélicos continuaram sendo usados, com variações e às vezes prevalências, mas nunca mais o ácido lisérgico, e a experiência trazida por ele, definiu cultura, arte, moda e estética  num  geral  como o fez no fim dos anos 60.

As suas qualidades de alteração da percepção foram concebidas na época em parte como profunda autoanalise e psicoterapia e em parte como experiência religiosa intensa. Timothy Leary fundaria até mesmo uma igreja, a “League for Spiritual Discovery” (liga para a descoberta espiritual) que tinha o LSD como sacramento, e o próprio Foucault concorda que a experiência foi “mística”, oferecendo a ele “visões de uma nova vida” e “uma perspectiva renovada” de si mesmo.

              Alguns meses depois, em uma carta à Simeon Wade, o jovem acólito que o havia convidado a tomar a substância, Foucault escreveu que a experiência o havia levado a reescrever inteiramente o primeiro volume de “História da Sexualidade”. Ele deixou de lado centenas de páginas já prontas, jogou o segundo volume inteiro no fogo e então abandonou os rascunhos do trabalho de múltiplos volumes. Com exceção do primeiro volume, que se tornou um manifesto para o emergente movimento queer na Califórnia e em outros lugares, nenhum dos outros volumes foi publicado em sua forma inicial. 

               Foucault foi até a “Claremont Graduate School” no sul da Califórnia durante a primeira das várias visitas de pesquisa que fez à Berkeley. Dada a natureza relativamente obscura da instituição, sua presença só pode dever-se à insistência de Wade, o autor de uma fanzine independente chamada Chez Foucault. Foucault é retratado lá com seu suéter branco e óculos de sol branco de aros amplos que o faziam parecer uma mistura de Kojak com Elton John.

Acompanhado por seu amor e companheiro, o pianista Michael Stoneman, Wade levaria Foucault a uma jornada que culminou na viagem de ácido em “Zabriskie Point”, no “Death Valley” (Vale da Morte), os remanescentes desérticos de um lago que secou há 5 milhões de anos atrás. O celebrado cineasta italiano, M. Antonioni, havia começado a filmar ali seu clássico californiano, Zabriskie Point, em 1968, tendo como pano de fundo os protestos des estudantes, o movimento des Panteras Negras, cultura psicodélica e liberação sexual. Seu filme incluía uma orgia no local. Em maio de 1975, podemos supor que era menos um evento de vanguarda estética que um clichê hippie dropar ácido lá. Ao menos o trio encontrou uma trilha sonora mais sofisticada para seus devaneios que Antonioni, substituindo Pink Floyd e Grateful Dead por fitas de Richard Strauss, Stockhausen e Pierre Boulez. Foucault tomou ácido nos espasmos finais de um período em que o LSD era considerado “exercício espiritual”, e que logo foi substituído pelo empreendedorismo movido à cocaína das discos e boates do fim dos anos 70.

O efeito em Foucault foi profundo. Ele inclusive alteraria radicalmente a direção de suas pesquisas nos anos seguintes. 

Quando ele finalmente publicou o segundo e o terceiro volumes da História da Sexualidade quase oito anos depois, o projeto colocou como central as “técnicas do self” que ele havia descoberto na ética da grécia clássica e da roma antiga. Ao invés de estudar a sexualidade através dos paradoxos de repressão e confissão herdados do cristianismo, ele insere na reflexão as múltiplas e diferentes maneiras que os humanos podem ver a si mesmos, governar a si mesmas, e como buscam os humanos moderar, controlar ou liberar, dependendo do caso, o que é considerado como prazeres, desejos ou tentações da carne. O que chamam “sexualidade” não seria mais vista como uma verdade profunda a ser descoberta interiormente ou inconscientemente, como Freud acreditava. é simplesmente mais um caminho em que nos reinventamos como seres humanos em relação com o erotismo, o lar e a família, o dia a dia e a ética.

Dada a sua relatividade histórica, e suas relações com a cultura confessional do cristianismo medieval, a sexualidade era algo que os antigos podiam nos ajudar a escapar, ou, como Foucault com frequência pontuava, algo a partir do qual podemos pelo menos “pensar de outra forma”. Nós não devemos libertar nossa sexualidade mas libertar a nós mesmos de todo esse sistema confessional que fez surgir essa libertação baseada na sexualidade. 

Não seria injusto dizer que durante os anos 60 Foucault participou da obsessão de um certo tipo de filosofia francesa em tirar fora o “subject” [em inglês “sujeito” mas também “objeto” de pesquisa ou “assunto”], um termo estranho que é tanto técnico quanto obscuro. Rejeitar o sujeito (o “self”), anunciar sua morte ou a morte da autoria, se tornou coisa comum no discurso e na teoria literária de Foucault, Barthes, Derrida e companhia. Nos anos 70, o “sujeito” foi explicado não apenas como um tipo de ficção dos pronunciamentos das ciências sociais e comportamentais, mas como resultado da aplicação de tais pseudociências dentro do que estadunidenses como Erving Goffman chamavam de “instituições totais” do asilo; o hospital, a escola e, acima de todas, a prisão.

O escândalo do trabalho de Foucault sobre prisões (Vigiar e Punir, 1975), por exemplo, foi a sua substituição da ideia de que elas [prisões] podem deformar e brutalizar o sujeito humano, pela alegação de que em sua busca por maior humanismo elas fabricavam os próprios sujeitos que dominavam e subjugavam.

Depois de suas experiências na California e sua exposição ao “culto californiano do self”, entretanto, o “subject” de Foucault se tornou livre, um agente ativo capaz de fazer-se através de exercícios físicos e espirituais, e com o potencial para a autotransformação radical por meio das experiências extremas. “Fazer do ‘princípio do prazer’ um ‘princípio de realidade’ é um problema ético e político a ser resolvido na atualidade”, escreveu Foucault para Wade. Nesse sentido, engajar-se em aventuras eróticas, experimentos psicotrópicos e na “invenção” de novos estilos de vida tornou possível a transgressão do sujeito padronizado produzido pelas instituições do moderno “welfare state”. Pra colocar isto em termos de neoliberais estadunidenses, Foucault fazia a leitura na época: o “empreender do ‘self’” estava tendendo a colocar sua própria identidade em risco no ato da “self-criação”.

(esta tradução será publicada de maneira impressa e com outra diagramação na Transgressoar nº2 - tradução-transcriação-arte-comunicação, que sai ainda neste mês de julho)

domingo, 27 de junho de 2021

VANGUARDA?????

    O que é historicamente considerado "vanguarda" senão uma galera privilegiada que pôde estudar e focar apenas em arte e inevitavelmente chegou a novas conclusões, novas linguagens etc? Enquanto que a vanguarda na verdade é um movimento coletivo, uma coisa assim que se sente no ar e que se comunica e está comunicando com toda gente, é como uma condensação do espirito da época com as necessidades artísticas dessa mesma época, e lugar. O que quero dizer? Que o que é conhecido como vanguarda artística é apenas a comunicação em termos estruturados de uma descoberta ou uma inovação que dorme, latente ou difusamente desperta, no coração de toda a geração.

    Portanto não existe esse ou aquele gênio ou precursor-inventor primordial de tal mudança (como muito se acredita por aqui desde 1922) pois que a arte mesmo se coloca como renovação e reinventar, ou seja, algo que naturalmente vai mudar, se reformular, e não de acordo com um arroubo genial de um individuo mas sim pela assimilação de toda a arte anterior em uma nova forma de arte, em um fluxo coletivo, constante e cada vez mais amplo de conversas, influências, reflexões e práticas artísticas libertárias.
    Não existem "heróis" na arte. Apenas estudantes e continuadoras... Toda criação artística conta uma nova estória e se insere em uma História, que não é a dos grandes nomes clássicos essenciais etc etc e sim a história das mãos que criaram e criam arte como forma de expressão da memória da criatividade da inquietude e da rebeldia humana, ao longo dos séculos e geografias.
Seguimos, por uma "vanguarda" popular não hierárquica. Pela arte enquanto transformação. Para isso, precisamos ser, ao menos um pouco, menos escolásticos e mais sentimentais...

AURELIANO CAMINHAMAR

quarta-feira, 21 de abril de 2021

CURAR O COLECIONISMO

 


              pingente criado entre os anos 500 e 1500 por gentes nativas de Abya Yala

         roubado e agora guardado no Museu do Ouro de Bogotá. foi, junto a outras obras de

    arte ritual indígena cedida à Pinacoteca no ano de 2010 para a exposição "Ouros do eldorado"


Curar o colecionismo

de Alexander Herrera Wassilowsky

em Gaceta do Centro de Investigación y Creación de la Universidad de los Andes, número 3, 2017, Bogotá, Colômbia

(tradução deTereza Uirapuru)

    O colecionismo é uma enfermidade comum, antiga e contagiosa de que sofrem muitas instituições e indivíduos, também universidades e eu. Usualmente se manifesta na juventude com um número reduzido de conchas ou rochas recolhidas junto a algum rio ou praia, mas com frequência se estabelece, se transforma e cresce durante toda a vida, podendo inclusive chegar a ser hereditária. À diferença do colecionismo de pedras, chaveiros, moedas ou livros, a acumulação exclusiva e excludente de peças de arte pré-hispânica se insere em uma larga tradição de destruição e alienação das bases materiais da história indígena. Se a história nos ajuda a aprender do passado poderia falar-se de uma enfermidade autoimune de origem colonial. Seu sintoma mais diagnóstico é a guaquería: o saque de sítios arqueológicos para buscar tumbas e oferendas indígenas que contenham peças de valor. Desconhecemos a maneira de extirpar esta enfermidade, mas sabemos que é possível contê-la e necessário estuda-la, e sabemos também que os museus e as coleções museográficas universitárias podem exercer um papel chave no processo de cura(ção).

Etiologia do colecionismo

    Os conquistadores não demoraram muito pra perceber que os objetos mais apreciados pelos nativos de América eram feitos para, e depositados com, os difuntos, pois estes com frequência incluíam objetos de metal. Mesmo se tratando geralmente de ligas com cobre como base, as notícias de metais preciosos em grandes quantidades em terras “americanas”, atiçadas pelo Inca Atahualpa com o inútil pagamento de seu próprio resgate, despertaram a cobiça de um continente e deram alento a fábulas que animaram jovens europeus a deixar o continente todo e cruzar o oceano em busca de tesouros. Este afã de tesouro é o mesmo vetor de contágio que encoraja camponeses e ministros, professoras rurais, diplomatas e monges, a buscar e comprar peças arqueológicas em toda a América Latina.

    Em que pese as duvidas iniciais entre setores do clero em torno da legalidade da profanação das tumbas dos “indios” por sua condição de pagãos ou “gentis”, a prática prontamente se instaurou. No século XVII os “manuais” para a “extirpação de idolatrias” recomendavam queimar o conteúdo, com exceção dos ossos, em fogueiras públicas, as quais as vezes eram tão grandes que lugares como Infernillo e Cerro Purgatorio mudaram de nome para sempre. A intensidade da destruição associada à cristianização forçada durante as campanhas de perseguição religiosa varia de região pra região, mas as marcas na paisagem ainda são reconhecíveis. Peninsulares, mestiços, indios e escravos participaram da guaqueria por distintos motivos ao longo de três séculos, tempo durante o qual a guaqueria passou a converter-se em uma forma de minério, prontamente regulado para assegurar o dizimo da coroa.

    Paradoxalmente, é nesse contexto que surgem as primeiras coleções de objetos de arte pré-hispânica, apenas mencionadas em testamentos pobremente estudados. Dada a importância histórica da passagem de uma valorização claramente mercantil e centrada no metálico dos objetos “pagãos” -o impacto do deslumbramento original monumentalizado nos “museus do ouro” de Bolívia, Peru, Equador e Colômbia- a um reconhecimento de seu valor estético, mnemônico e histórico, esta falta de estudos é surpreendente.

    Um segundo giro nas trajetórias de valoração do que hoje chamamos patrimônio, uma transformação desta enfermidade colonial, surge com a chegada do projeto ilustrado no século XVIII. Com as gestas de independência e a formação das republicas sul-americanas, a enfermidade colonial se transforma, pois se consolida o reconhecimento de que os objetos do passado não só podem ter um valor estético, mas também um valor histórico e testemunhal que independe da estética. E é nesta variante da enfermidade -a busca do conhecimento mediada pela acumulação, mais ou menos sistemática e ordenada, de objetos de atraente exotismo- onde se situam os museus nacionais, assim como uma grande quantidade de coleções particulares como aquela de 1070 objetos arqueológicos, etnográficos e artesanías reunidas por Luis Raúl Rodriguez Lamus ao longo de sua vida.

Colecionismo caseiro

    O colecionismo caseiro de peças de arte pré-hispânica é uma variante particular da enfermidade com tempo de incubação e manifestação longos, mas que se pode contrair com escavações de fim de semana ou feriados. Em uma segunda etapa, o paciente passará de buscador inveterado a comprador compulsivo, e cedo então a enfermidade começará a atacar a vista do paciente. Mais cedo ou mais tarde terminará comprando por ouvir, sem olhar, ou olhando sem ver aquilo que não quer ver. Tão pouco faltará quem se aproveite do colecionista e substitua por réplicas peças originais de sua coleção ou simplesmente as roube ou quebre sem querer. Porém, há que se reconhecer-se que a alta qualidade dos segundos originais à venda nas ruas de Rosales ou Usaquén, aqueles que os colecionadores perspicazes não compraram, não é casual. A produção de réplicas de cerâmica pré-colombiana tem mais de 150 anos de tradição, sendo quase tão antiga quando o colecionismo.

    Diferentemente da produção artística da família Alzate, que levou à invenção de novas culturas pré-colombianas ao longo de gerações, a maioria dos replicadores fabricam cerâmicas bastante parecidas com as originais. Em muitos casos lançam mão de fragmentos originais para criar peças hibridas. Uma olhada superficial, talvez acompanhada de uma boa história, má luz ou óculos velhos podem ser suficientes para viabilizar a transação que aliviará alguns dos sintomas do enfermo por um momento, ou dois.

    Ainda que não seja uma doença fatal, o colecionismo de peças pré-hispânicas tende a acabar só com a morte do paciente. São raros os casos de morte violenta, embora o degolamento de comerciantes de arte pré-hispânica com cuchillos cerimoniais não seja desconhecido. Uma coleção sem colecionista tende a converter-se em um problema para os parentes. Se não há contágio na família, aos herdeiros se abrem dois cenários possíveis: dissolver a coleção e recuperar uma fração do dinheiro investido ou mantê-la integra e câmbia-la por prestigio. Conscientes das possiblidades e desafios decorrentes de manter uma coleção, os familiares do enfermo buscarão entregar a coleção a um prestigioso museu ou instituição para devolvê-la ao âmbito do público.

O que fazemos com isto?

    O número de coleções privadas de bens arqueológicos na América Latina deve ser astronômico e poderia ver-se isso como indicador de uma pandemia de séculos. Mudanças legislativas a nível global e regional sugerem o inicio de um longo ocaso. Pouco a pouco, mas cada vez mais, as coleções de arte pré colonial acumuladas por indivíduos privados passam para os museus e universidades, que devem responder à pergunta: o que fazer com esse apanhado desordenado de objetos guaqueados e comprados, alienados e inventados, de obras mestras da replicação mescladas com peças de cerâmica e líticas originais e fragmentadas? A única resposta possível é dar o exemplo daquilo que se pode fazer para sanar as feridas deixadas pela enfermidade, ressarcir o dano acumulado retornando todo o possível ao âmbito do comum. Em outras palavras, catar as páginas perdidas e devolvê-las ao livro da história.


[esta tradução será publicada materialmente no próximo número da revista Transgressoar, a sair provavelmente em junho. Se você conhece algum texto em outra língua à traduzir ou mesmo em língua portuguesa que dialogue com esta tradução de alguma forma, manda pra gente, vamos publicar na TRANSGRESSOAR]


editoramaracaxa@gmail.com

@editoramaracaxa


domingo, 18 de abril de 2021

TRADUÇÕES DA POESIA ANARQUISTA DE FERNANDA GRIGOLIN

SOU AQUELA MULHER DO CANTO ESQUERDO DO QUADRO, de FERNANDA GRIGOLIN, é um livro publicado em 2019 pela casa editorial independente anarcofeminista TENDA DE LIVROS (https://tendadelivros.org/), de São Paulo. Essa obra faz parte da série AQUELA MULHER. É uma ficção baseada em muita pesquisa histórica e se estrutura como uma conversa-entrevista em que uma trabalhadora que viveu a efervescência anarquista da primeira metade do século vinte conta sua história de vida. O fluxo principal, a conversa, é entrecortado por trechos e fac similes de jornais da época. No livro, escrito em português, existem duas poesias em língua espanhola, uma no começo* e outra no fim (Eu, Tita Mundo)**, aqui traduzi-as para o brasileiro, pela transcriação, pelo comunicar, pela relação somatória entre as línguas y gentes, para que a História, as palavras de Tita Mundo e a voz Daquela Mulher do Canto Esquerdo do Quadro ressoem ainda mais por aí, pelas mentes, chãos e céus do mundo…  

[Tereza Uirapuru]         


*Peço a ti, leitora,

que ao ler-me escutes

uma mulher tecendo em uma máquina.


Sim, sou eu a tecedora.


Posso ser também

uma mulher tipografa que busca,

letra por letra,

colocar um periódico pra circular.


Posso ser também

uma mulher que maneja o telégrafo

e avisa em ponto e traço a outras mulheres:

ouçam, vamos começar nossa greve.


Estas são as imagens,

eu lhe peço,

escute-as, são mulheres.


 O melhor seria falar de mim no gerúndio,

construindo-me,

armando-me linha a linha

desde uma temporalidade feminista.


Mas escrever no gerúndio o tempo todo

pode converter o que escreves

em algo aborrecedor,

quasi um erro linguístico.


Faz, leitora,

o gerúndio em ti,

lê estas palavras 

com teu movimento interno presente.


Só a inquietude 

constrói saberes desviantes.


Sim, sou eu a narradora.


**Nasci no 04 de maio de 1878 em Barcelona, Espanha

Quando tinha dois anos minha família e

eu fomos viver no Brasil.

Foi a primeira de muitas viagens em minha vida…


Minha mãe trabalhou a vida toda como costureira e

meu pai como sapateiro. Os dois anarquistas.

Nós, os filhos, aprendemos com eles na prática.


A biblioteca era o lugar comum da casa e

sempre líamos livros em espanhol, português e italiano.

Comecei a trabalhar com onze anos e

com vinte participei do meu primeiro boicote, me recordo bem.


Era 1908, São Paulo, armamos um plano entre nós mulheres,

que trabalhávamos costurando sacos de juta,

afrouxaríamos os pontos de maneira imperceptível,

os Mestres não o perceberiam, e

levariam os sacos aos armazéns para recheá-los de café.

Era um risco, passar pelo controle rigoroso que

eles faziam, mas com um bom plano seria possível…


Passamos alguns meses fazendo testes e

esse dia tudo saiu perfeito:

o café foi colocado nos sacos, milhares de sacos.

A maioria deles se descosturou nos trens rumo

a Santos, rumo a exportação…


A bolsa do café baixou pontos e

percebemos que unidas somos fortes.

Mas uma das companheiras nos delatou,

Lucía e eu fomos enviadas ao cárcere como conspiradoras…


Passaram cinco anos até eu poder sair.

Meus pais já haviam sido deportados à Espanha e

sobre meu irmão não consegui nenhuma informação.

Eu por haver cometido apenas

um “crime” contra a segurança nacional,

me meteram na prisão.

Quando sai,

minha casa já não existia,

estava completamente sozinha.

Lucía havia sido torturada e estava morta.

Eu tinha saudade dela.


Com nome falso consegui trabalho em uma Tecelagem 

(Cotonifício Crespi).

Também conheci

muitas mulheres que me ensinaram coisas ali.

Minha alma é livre e

enquanto a liberdade não for alcançada

como um fato social, serei grevista.


Aguentei pouco tempo sem planejar ações porque

a fábrica era um lugar insuportável…


Ali conheci a Sophie, ela andava com as irmãs Soares e

outras do Centro Feminino de Jovens Idealistas.

Começamos a viver juntas e me uni a essas mulheres

as quais até hoje sinto muita saudade.


Veio a Greve de 1917: enorme, imensa.

Meu coração dizia que as mudanças eram possíveis e

que íamos construir um futuro próspero.

Me encarceraram outra vez…


Descobriram que era Tita Mundo, a Perigosa Tita,

como me nomearam.


Por ser minha segunda vez na prisão me expulsaram pra Espanha.

Cheguei em Barcelona quase 38 anos depois de minha partida.

Não sabia muito daquele país,

sabia que era a terra de meus pais e

que lá eles começaram a dizer-se anarquistas,

nós líamos muitos livros feitos por espanhóis.

Ferrer Guardia havia sido fuzilado ali…


Mas meu cotidiano era no Brasil,

eu só conhecia as anarquistas que viviam lá.

Procurei irmãos e amigas da minha mãe e

me comentaram que meu pai e mãe haviam morrido

à mando do Pistoleirismo.


De volta à Espanha,

se organizaram em sindicatos,

armaram uma greve e

foram assassinados pelos matones do patrão…


De meu irmão nada sabiam,

mas depois de um tempo descobri que

passou anos sendo trasladado a vários cárceres,

como Bastilha do Cambuci, e que morreu em Clevelândia,

a prisão feita pra nós, os anarquistas,

bem isolada no norte do Brasil e

da qual só Domingos Passos e

alguns conseguiram escapar.


Em Barcelona, comecei a trabalhar como padeira

para ter dinheiro, poder sobreviver e me ir dali.

Via o sangue de meus pais por todos os lados…


Em 1920 subi em um navio de novo, agora até o México.

Cheguei ao Porto de Veracruz,

a Liberdade cobriu todo meu corpo outra vez.

Encontrei muitas mulheres preciosas em La Huaca,

muitas como eu:

solteiras, sem filhos e crentes do prazer sexual.

Fui viver nessa parte da cidade.


No pátio da vizinhança conversávamos,

liamos os artigos das mulheres sobre nossos direitos.

Muitas de nós eram prostitutas.

Falávamos todos os dias sobre a libertação sexual.


Os aluguéis subiam a cada dia.

As muchachas resolveram se unir e começaram a greve.

A união entre as mulheres contagiava de pátio à pátio.

Tamales, café preto, Terra e Liberdade era o que queríamos.

Em nossas portas pendurávamos:

Estoy en huelga y no pago la renta. 

(Estou em greve e não pago o aluguel)


Olhava nos olhos de cada companheira e via muita verdade.

Nossas reivindicações eram:

Liberação Sexual, Fim da Propriedade Privada e

Fim do Estado.

Lá conheci Petra e nos enamoramos.

Passávamos dias e dias juntas,

falando de nossas histórias…


Chegou o 5 de julho de 1922,

chovia como nunca,

a água molhava até os ossos.

Fomos todas ao sindicato,

havia muitas pessoas,

mulheres e homens.

A greve estava por todas partes…


Intentamos sair em marcha mas

os federais não nos deixaram.

Houve confronto.

Muitas mortes e encarcerados.

Me meteram no cárcere uma vez mais,

foi a pior prisão da minha vida, fui violada, ofendida…


Me obrigaram a fazer sexo com dois homens,

até hoje tenho pesadelos, policiais me violando.

Antes, meus sonhos sempre haviam sido ternos e

com mulheres…


No ano de 1923, um ano depois, 

criamos entre muitas a

Federação de Mulheres Libertárias em Veracruz.

Líamos e estudávamos a história 

das mulheres anarquistas mexicanas.


Soube da vida de Margarita Ortega Valdés,

uma valente combatente magonista que enfrentou o deserto e

a repressão, morreu fuzilada em 1913.

Aquilo me impressionou, mesmo depois de tudo

o que eu já tinha vivido.

A história dela estava cheia de detalhes 

e me parecia escutar sua voz pela noite dizendo:

FORÇA IRMÃ!

Ela entendia o deserto e

suas zonas de imenso calor como ninguém.

Comecei a ler mais sobre os magonistas e

suas intenções de resistência na fronteira.

A larga fronteira do México tem muita relação com

os Estados Unidos.

Nos tempos da Revolução Mexicana,

o periódico Regeneración tinha partes em inglês com textos

de Emma Goldman, por exemplo.


Soube que nesta época houve um comitê Pró

Revolução Mexicana em meu amado Brasil,

Emma Goldman ajudou que Neno Vascos e

Edgar Leuenroth soubessem mais da irmandade Magón.

No Brasil conheci Leuenroth,

era amigo de meus pais, nos falava de política e

economia brasileira,

ele acreditava muito no internacionalismo.


Em 1925, Petra e eu fomos juntas a Buenos Aires.

Tínhamos uma missão,

reforçar nossos laços de solidariedade,

enviar informação que não podia ir

em uma carta ou por telégrafo e

poder pensar juntas a luta latinoamericana.

Diziam que Argentina era um lindo país…


Lá também aconteceram greves,

Lá também as mulheres faziam periódicos.

La Voz de La Mujer foi o mais antigo.

Era uma emoção saber que éramos várias!


Em um encontro no México,

quando falaram sobre as greves na Argentina,

nomearam uma mulher:

Virginia Bolten.

Soube muitas coisas sobre a Argentina,

houve um grupo de mulheres chamado As Proletárias e

há um periódico em atividade Nuestra Tribuna.

a diretora é Juana Rouco Buella.


Ao chegar a Buenos Aires tive uma boa surpresa:

encontrei Luigi Magrassi,

filho de Matilde Magrassi,

ele estava vivendo na cidade.

Matilde e eu havíamos nos conhecido em uma atividade e

depois nos fizemos amigas.


Que mulher tão otimista,

acreditava muito na sociedade de resistência.


Na Argentina Matilde fazia parte do grupo

As Libertárias.

Luigi estava vivendo ali envolvido na

Liga de Educação Racionalista e

colaborava com o periódico La Protesta.


Buenos aires foi um lugar com muitas atividades anarquistas:

greve de padeiros e

discussões acerca das ideias de Malatesta.

Mas os sindicatos e

federações anarquistas estavam então vazios,

havia outras organizações que

aceitavam negociar com o governo.

A FORA estava com uma campanha laboral de 6 horas,

na tentativa de acabar com a desocupação.

De Buenos Aires tivemos que ir muito rápido,

a situação era insegura…


Petra decidiu ir pra Europa.

Eu decidi passar os últimos anos da minha vida no Brasil.

Tinha saudade das companheiras e da luta neste país…

Aluguei uma casa pequena em Santos, perto do mar.

Santos, em princípios do século,

foi considerada uma das cidades mais anarquistas do mundo

junto a Veracruz e Barcelona.

São os fluxos dos portos os que trazem sempre a novidade.

Ali fui viver. 


[traduções originalmente publicadas na revista Transgressoar: transcriação, tradução e comunicação artística -  número 1, fevereiro de 2021]

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/transgressoar-transcriacao-traducao-e-comunicacao-artistica

VOCÊ SABE O QUE É CARTÓN?

 cartón em brasileiro é papelão

o papelão é uma amalgama de papéis prensados

esse papelzão, (ou papelão, papel grande), naturalmente serve muito bem para resguardar o conteúdo de um livro, que são papeis dobrados

existe um movimento aparentemente surgido na Argentina no começo deste século e alastrado por toda a américa latina que são as EDITORAS CARTONERAS, editoras ou grupos de pessoas, artistas, pensadoras independentes que encontram no mundo cartonero a realização de seus projetos literários e comunicativos, no sentido de que o livro cartonero é um objeto artesanal e, por isto, mais barato de ser produzido, apesar de mais trabalhoso de se fazer surgir por precisar ser sempre CRIADO e recriado, não apenas PRODUZIDO. 

Além do (re)uso do papelão como capa proporcionar uma liberdade artesanal na criação da estética das capas, com uso de tintas e recursos gráficos orgânicos, que tornam cada livro um livro único, também torna prática constante a reutilização de um material que muitas vezes é considerado dejeto e é reciclado no Brasil principalmente pela iniciativa de catadores e catadoras ruas afora, e ressignifica esse papelão enquanto objeto de reflexão e criação artística, inserindo a arte em um sentido mais ecossistêmico e tornando viável à pequenas editoras, com pouco capital de investimento e pouca mão-de-obra, digamos assim, circularem suas obras e expressarem suas ideias em forma de livro ou revista, geralmente a um preço acessível, apesar de serem objetos com alto teor artístico, na contracorrente de um mercado editorial que cobra caro por livros-coisas feitos por máquinas

nesse contexto é que surge a coletânea Letras de Cartón, uma publicação coletiva de várias editoras cartoneras, com textos do catalogo dessas editoras ou especialmente escritos para a obra. o tema das poesias e prosas foi COLETIVIDADE e SOLIDARIEDADE, mas o que uniu as editoras em um sentido de coletânea coletiva é muito mais a essência cartonera de cada uma delas, o que pode-se notar pela composição geográfica deste livro que vai desde estados das várias regiões do país até outros países como Peru, México, Venezuela, Argentina e Chile

 portanto, há nessa coletânea uma diversidade muito grande de projetos cartoneros, cada qual com sua dinâmica e processos criativos próprios. 

por exemplo nós criamos livros cartoneros, mas também criamos capas com outros papeis, outras gramaturas, enquanto que existem editoras que só fazem livros cartoneros, ou que fazem livros cartoneros com cola, ou só com costura, ou os dois, e assim vai...

o importante é saber que ser cartonero equivale a ser artesanal, e no mundo de hoje o trabalho artesanal cada vez mais recupera seu vigor e sua importância, pois nos reconecta com formas ancestrais de criação e comunicação

 saiba você que é possivel criar livros artesanais com um pouco de estudo e dedicação, e muito amor para com o objeto livro e sua magia

PARA QUEM QUISER SE APROFUNDAR NO ASSUNTO DAS EDITORAS CARTONERAS está disponível aqui no blog uma tradução publicada na TRANSGRESSOAR  de março deste ano cujo titulo é EDITORAS CARTONERAS E ALGUMAS NOTAS DE ESTÉTICA DA EMERGÊNCIA

https://editoramaracaxa.blogspot.com/2021/04/editoras-cartoneras-e-algumas-notas-de.html

aqui, o link para Letras de Cartón

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/letrasdecarton

agradecemos à Candeeiro Cartonera e à Catapoesia, organizadoras e instigadoras das Letras de Cartón


UM SALVE A TODES CARTONEIRES

A FLOR E A NÁUSEA (1945) POESIA

 A Flor e a Náusea 

de Carlos Drummond de Andrade 

em A Rosa do Povo




Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cinzenta.

Melancolias, mercadorias espreitam-me.

Devo seguir até o enjôo?

Posso, sem armas, revoltar-me?


Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações

         e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.


Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que triste são as coisas, consideradas sem

                  ênfase.


Vomitar esse tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam para casa.

Estão menos livres mas levam jornais

e soletram o mundo, sabendo que o perdem.


Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.

Os ferozes leiteiros do mal.


Por fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo

e dou a poucos uma esperança mínima.


Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do trá-

                      fego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto

Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu.


Sua cor não se percebe.

Suas pétalas nåo se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.


Sento-me no chão da capital do país às cinco horas

           da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens maciças avolu-

       mam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas

         em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o

       nojo e o ódio.


                      [1945]


quarta-feira, 14 de abril de 2021

CATALOGO DE PUBLICAÇÕES DA EDITORA MARACAXÁ

 CATALOGO ATUALIZADO (abril 2021)

~todas as publicações são impressas, costuradas e encadernadas artesanalmente~

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/


*TRANSGRESSOAR: TRANSCRIAÇÃO, TRADUÇÃO E COMUNICAÇÃO ARTÍSTICA  

       (REVISTA DE ARTE) 120pg

  

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/transgressoar-transcriacao-traducao-e-comunicacao-artistica


* AMARELO - PEDRO TORRES BUSCH 

             (CONTOS)   200pg 

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/amarelo-pedro-torres-busch


* BOMBANDO JESUS NO CORAÇÃO - GONZALO DÁVILA 

           (NOVELETA)  60pg    [LANÇAMENTO]

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/bombando-jesus-no-coracao-gonzalo-davila


* ÂNTESE - ANA RAIZ   

              (POESIA)   40pg

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/antese-ana-raiz


* O QUE É CICLO LUNAR? - ISABELLA TORRES BUSCH 

        (coleção A Crescente) 50pg

               [livro de bolso]

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/o-que-e-ciclo-lunar

* O DELÍRIO DAS COISAS - AURELIANO CAMINHAMAR [2a edição]    

              (MANIFESTO)   207pg

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/o-delirio-das-coisas

* AS FRONTEIRAS DO SONHO - GONZALO DÁVILA  

            (NOVELETA)      76pg

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/as-fronteiras-do-sonho


* LETRAS DE CARTÓN (COLETÂNEA CARTONERA) 64pg

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/letrasdecarton


* O ÍNFIMO NA BEIRA DO ABISMO - AURELIANO CAMINHAMAR  (ROMANCE EXPERIMENTAL)           231pg

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/o-infimo-na-beira-do-abismo


* POESIA DE CRUZ E SOUSA  (POESIA) 40pg

https://editora-maracaxa.lojaintegrada.com.br/none-69708451


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NO PRELO:


* O QUE É FILOSOFIA? - JOSÉ VICTOR DA SILVA

(COLEÇÃO A CRESCENTE) [livro de bolso] 

* MANGUE SCIENTÍFICO - APROXIMAÇÕES ENTRE A CULTURA POPULAR E A CULTURA CIENTÍFICA (REVISTA DE CIÊNCIA)

                      POR LIVROS POPULARES E IDEIAS TRANSFORMADORAS


[Tradução] Um Senhor Muito Velho Com Umas Asas Enormes - Gabriel Garcia Márquez (Colômbia)

  Um Senhor Muito Velho Com Umas Asas Enormes,   de  Gabriel Garcia Marquez   ( 1968)                                                   trad...